[ABC da Educação Inovadora] B de Brincar

Por Clarissa · 10 de julho de 2017

Quero te convidar a um passeio pela sua memória de infância. A ideia é preparar você para uma reflexão digamos mais íntima sobre o brincar, de forma a tornar sua leitura uma experiência memorável, significativa. Está pronto? Então vamos lá. Você foi uma criança que brincou muito? Quais eram suas brincadeiras favoritas? Gostava de brincar mais com amigos ou sozinho? E na escola? Você brincava muito? Quais eram os momentos e os espaços em que você brincava na escola?

Como educadores, temos uma boa noção de que nós seres humanos aprendemos inseridos num ambiente social onde agimos e interagimos com o outro. E quando somos crianças, nosso ímpeto e nossa linguagem natural ao agir e interagir é o brincar. É comum vermos por aí escolas de ensino infantil que adotam esse mote: a criança aprende brincando. E isso não só é verdade como é um fator crítico para o desenvolvimento saudável da criança. Por outro lado, a seriedade e “sisudez” excessivas num professor dificultam muito o processo de ensino-aprendizagem. Papo reto, amigos: seus alunos não vão aprender com você se eles não gostarem de você, de passar o tempo deles sob sua batuta de educador. Se você ainda é um daqueles professores à moda antiga que acreditam que ser gostado por seus alunos não faz parte de ser professor, por favor, repense seu papel com muito carinho. <3

O que é

Muitos de nós sabe bem o que é brincar na prática, mas vamos olhar uma definição bem simples do que é brincar. O brincar é um conjunto de atividades em que nos engajamos de maneira voluntária, espontânea e intrinsecamente motivada que nos traz diversão e prazer. Apesar do brincar ser comumente associado a infância, ele não só pode como deve ocorrer também em quaisquer estágios da vida.

Por que isso é importante?

O pediatra e psicanalista Britânico D.W. Winnicott pensou muito sobre o papel do brincar no desenvolvimento humano. Pra ele, o brincar é a chave para o bem-estar psicológico e emocional do indivíduo. Winnicot argumenta que a criança precisa primeiro desenvolver um ‘senso de ser’ para ser capaz de desenvolver um ‘senso de agir’ no mundo, e a maneira pela qual ela explora seu mundo interior, sua imaginação, seu ‘ser’ acontece por meio da brincadeira espontânea, relaxada e prazerosa. Winnicott também defende que o brincar é crucial em qualquer idade para o desenvolvimento autêntico do nosso senso de nós mesmos, nosso self real.

Em sua teoria da aquisição de uma segunda língua, o linguista norte-americano Stephen Krashen postulou cinco principais hipóteses, dentre as quais temos a hipótese do chamado ‘Filtro Afetivo’. Krashen explica que um bom nível de auto-confiança e motivação aliados a um baixo nível de ansiedade contribuem para ‘baixar’ o filtro afetivo do aprendente, facilitando assim a sua aquisição da segunda língua. E é justamente aí que entra em cena o brincar, que por ser uma atividade espontânea, prazerosa e de expressão autêntica do indivíduo associa o prazer ao ato de aprender, diminuindo a ansiedade e aumentando a auto-estima.

Brincar é sim uma fonte de prazer, e nós seres humanos somos criaturas em constante busca por prazer, conforto e segurança. Nesse sentido, a brincadeira é uma arma poderosa nas mãos de educadores que entendem que o ato de aprender pode ser potencializado por meio do brincar. Se nós educadores formos capazes de transformar a aprendizagem numa experiência autêntica de descoberta criativa e lúdica, teremos encontrado a chave para tornar a aprendizagem efetiva e duradoura.

Lembre-se que quando brincamos estamos expressando nosso ser espontâneo com um grupo de pessoas com quem nos sentimos seguros para brincar e ser nós mesmos. De que maneiras nós educadores podemos promover o brincar em nossas salas de aula para tornar a aprendizagem uma descoberta prazerosa e inesquecível?

Conta pra gente e vamos brincar! 🙂

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Clarissa

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