Diário de Bordo 2 | Amplifica no Vale do Silício

Por Carla Arena · 2 de fevereiro de 2020

E a nossa aventura em terras gringas continua com muitas conexões e líções que nos dão uma visão ainda mais ampliada de que sim é possível repensar como apoiar educadores e líderes educacionais em seus processos de mudança.

E nossa visita à Stanford, mais especificamente à D.School, sendo conduzida pelo Google Innovator Ingvi Omarsson, da Islândia, e nosso encontro no final de semana com o Innovator Rushton Hurley, têm muito em comum na forma e na intencionalidade. O que aprendemos ou nos deu uma nova perspectiva para pontos que consideramos cruciais?

Espaços para o aprendizado
A Samara estava conversando com o Rushton assim que o conhecemos e a Carla tinha ido ao carro. Quando a Carla voltou, teve a certeza de que estavam com um educador em toda a sua essência. A primeira frase do Rushton foi sobre a importância de termos espaços que são pensados para o aprendizado, para estimular os sentidos. E é exatamente o que há muitos anos consideramos essencial, mas os espaços se retroalimentam e devem ser realinhados sempre de acordo com a proposta pedagógica. Tanto na D.School como no Krause Center for Innovation cada detalhe foi pensado desde o formato das mesas e cadeiras, a disposição, as telas. Onde é a frente da sala? Qualquer lugar. Não há na maioria dos espaços esta ideia de frente. Ao contrário, a horizontalidade nas relações de aprendizagem por pares puxa por um mobiliário em que grupos estão próximos, que têm flexibilidade para a disposição dos móveis que podem ser rearranjados em várias disposições.

Confira aqui um pouco destes conceitos neste álbum. Você verá que não é nada novo. Muitas das ideias estão espalhadas por aí, mas intencionalidade é o que nos falta muitas vezes. Quantas vezes já vimos escolas falando de espaço de inovação ou querendo uma “sala Google” (que não existe!), sem sequer terem uma proposta pedagógica para o espaço, sendo mais uma vitrine. Só que vitrine não se sustenta. A mudança dos espaços devem refletir uma mudança também na metodologia, nas práticas em sala de aula, na forma de pensar a gestão das aulas. Daí, o espaço clama por novas formas. Flexibilidade, iluminação, mobilidade, todos são conceitos que estavam visualmente presentes na duas visitas onde os espaços foram concebidos tendo as interações, conexões entre pessoas como iniciadoras de ambientes propícios para a interação e o aprofundamento das experiências de aprendizagem.

Espaço para prototipação e iteração dos professores
Para que os educadores comecem a vislumbrar novas possibilidades metodológicas para a sala de aula, eles precisam vivenciar. Ambos, a D.School e o Krause trazem em sua essência espaços para os professores em que podem experimentar, iterar, participar de atividades, criar. Só assim entenderão como utilizar novas estratégias em sala de aula. Professores precisam ter a liberdade para errar e, para isso, precisam de ambientes em que se sintam seguros.

Nosso convite? Que tal transformar a sala dos professores, ou espaços desabitados da escola em lugares de prototipação e teste para os professores?

Magia e encantamento
Enquanto conversávamos com o Rushton, a Patty, uma das ex-participantes do Programa de formação de professores chamado MERIT (Making Education Relevant through Innovative Teaching) chegou para uma atividade. O depoimento dela, emocionante, mostrava que as pessoas precisam de incentivo, de serem cutucadas com pitadas de magia e conteúdo relevante. Foi assim que Patty se redescobriu, uma professora com décadas de experiência, que diz ter mudado sua prática e que isso foi transformador em sua vida. Não pensava que a esta altura de sua carreira ainda teria tanto para aprender e ainda seria usuária-fã das tecnologias com seus aluninhos do 2º ano.

Programas de desenvolvimento profissional precisam ser consistentes, contínuos e também divertidos. Precisam aprofundar conhecimentos, mas serem leves o suficiente para que seja estímulo, e não fardo. Nós, do Amplifica, sempre tivemos a preocupação das experiências nos programas e eventos que desenhamos. E estes dois encontros por aqui só corroboram esta visão de que temos que ser encantadores de educadores para que eles se sintam dispostos a ousar, e para isso precisam de comunidade, de celebração, de desafios.

Na D.School, Ingvi tem prototipado com colegas Escape Rooms educacionais que estão na interseção da colaboração, criatividade, aprendizagem por pares, gamificação com uma boa dose de desafio, emoção e diversão. No MERIT, os participantes também têm desafios, e vão acumulando pontos e atividades que vão realizando ao longo do semestre depois do encontro presencial.

Apoio & Sistematização
Um elemento essencial e norteador nos programas da D.School e da Krause é o apoio aos professores em diversas formas. Há sistemas de apoio como mentorias aos professores, modelos, tutoriais que eles podem utilizar inicialmente em suas práticas para sistematizarem seus próprios aprendizados e irem ganhando confiança até se tornarem mais ousados em suas propostas pedagógicas. Primeiro vão sistematizando para depois ousarem. Quantas vezes não partimos do pressuposto que com todo o repertório do professor já podemos partir para a prática? Engano. Eles, tanto qualquer aprendiz, precisam de tempo de maturação, sistematização e modelagem na prática para que se sintam confiantes para começarem a alterar suas práticas.

 

E daí ficam uns questionamentos importantes:
– Como você e sua instituição têm desenhado as experiências de desenvolvimento profissional para a equipe? Vocês pensam em programas, em continuidade, ou palestras e ações pontuais na semana pedagógica?
– Como incentiva sua equipe a aprender? Por pares, em comunidade, ou não tinha pensado sobre o assunto?
– Como os espaços de convivência dos professores podem se tornar espaços de experimentação, prototipação, iteração para que se sintam mais confiantes para testarem novos modelos em sala de aula?
– Os programas de formação para professores têm os 3 Ds? São diversificados, divertidos e desafiadores?

 

E se você chegou até aqui e se interessa por esses temas, dá uma olhada nestes ampliflix em que já abordamos estes temas:

Ampliflix 28 – Espaços de Aprendizagem no NAVE
Ampliflix 30 –  Conversa com Leila Ribeiro sobre Espaços de Aprendizagem
Amplifix 37 – Repensando Espaços de Aprendizagem na Escola
Ampliflix 67, 68 e 69 – Como Potencializar o desenvolvimento profissional na sua instituição

 

conheça o autor

Carla Arena

"Ter idealizado o Amplifica e vê-lo impactar a vida de educadores e líderes educacionais é o que nos impulsiona a levantar todas as manhãs sempre buscando soluções inovadoras e significativas para ajudarmos a educação no país a ser cada vez mais conectada ao mundo, aos alunos e educadores. Amplificar é transformar desafios e soluções."

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