Esqueçam o digital e pensem em redes. Eu explico o porquê. Desde que voltei de um curso na Hyperisland, na capital sueca, Estocolmo, em 2017, eu não sou mais o mesmo. Foi o momento em que estive em uma imersão chamada de aceleração digital. Eu lembro de ter voltado para o Brasil com a cabeça fervilhando. E, para completar, depois de ler o livro Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão, de Paula Sibilia, publicado em 2012 pela Contraponto, o lema foi criado e eu não larguei mais dele. Eu derrubei, na minha forma de pensar, qualquer sentimento de linearidade e embarquei na força das relações sociais para acreditar em “Por mais redes e menos paredes”.

Da imersão para a aceleração digital eu aprendi a dar mais foco na construção de histórias do que na contação de histórias. São as pessoas ao seu redor que nos ajudam nesse processo. É por meio dos laços que construímos com os nós da rede de afeto que conseguimos ampliar nossos horizontes. São as conversas, os encontros e as trocas de mensagens com nossos pares que nos levam ao aprendizado verdadeiro.

O ambiente digital vai nos oferecer muitas ferramentas e plataformas. Cada dia é uma novidade. Ainda bem. Quando o convite é para esquecer o digital e pensar em redes, é porque agora precisamos entender sobre as estruturas e os comportamentos. As redes são construídas por pessoas conectadas. Se deixamos para trás a possibilidade de construir nossas redes de relacionamento, pode ser muito tarde querer construí-las depois. É por isso que na educação estamos vivendo um momento de fortalecimento de nossas redes para conseguirmos reduzir as paredes.

Essa metáfora nos leva a pensar que a mudança deve ser a nossa cultura e não a estratégia. A mudança pode ser um pouco devagar, mas tem uma hora que ela chega. Por ser disruptiva pode até incomodar. Agora as redes são a nossa infraestrutura. Não queremos mais, apenas, comprar coisas. Queremos, também, solucionar problemas. Além de vender, podemos ter parceiros ao nosso lado. A rede tem o poder de ser exponencial, pois cada ator que se agrega a um nó dessas conexões traz consigo novos membros.

No livro de Paula Sibilia tem um capítulo intitulado Inventar novas armas. Foi justamente lá que encontrei as palavras certas para formar tudo aquilo que acredito hoje. Sibilia diz: “Para revitalizar a educação, devemos incorporar a mídia e a conexão global ao âmbito escolar, como se vem tentando fazer com bastante ousadia, contra as inúmeras resistências e dificuldades que ainda se erguem? A incerteza é profunda e complexa, mas sem dúvida é preciso explorá-la”, finaliza.

É por isso que estou disposto, já dando resposta a uma conclusão que Paula Sibilia chega, mas ainda em tom de questionamento: “[…] Será possível levar esse projeto a suas últimas consequências, abrindo os velhos muros disciplinares ao tsunami do fluxo informacional, e ao mesmo tempo, conseguir que a instituição assim alterada conserve sua condição de escola?”. Eu respondo que sim, pois por mais redes e menos paredes uniremos os universos escolar e midiático para que os alunos e professores sejam alimentados e possam crescer.

Na aventura de guiar educadores por uma trilha de aprendizado profundo ao longo do projeto Amplifica 4×4, eu sou o guia da etapa bastante importante para quem quer viver histórias: a aventura. Embarque comigo para compreender onde você quer aprender, aonde quer ir, o que quer fazer e por onde quer transitar.

conheça o autor

Márcio Gonçalves

"O Amplifica nos mostra a força da educação. Um bom momento para relembrar uma frase de Malala: “Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo”. "

3 respostas para “Por mais redes e menos paredes”

  1. Cynthia Pessôa disse:

    Já não somos o que éramos outrora e isso é um grande passo! O próximo e não voltar atrás! Seguindo e criando redes, fazendo parte delas e envolvendo mais e mais pessoas!
    Obrigada pela leitura, Mestre!

  2. Vera Nogueira disse:

    Embarque comigo para compreender onde você quer aprender, aonde quer ir, o que quer fazer e por onde quer transitar. Quero transitar pela educação de jovens carentes para ajudá-los a encontrar caminhos que lhes façam sentido. Quero dar aula de interpretação de texto e redação, mas encontrei a barreira tecnológica que eles enfrentam. O que fazer, tenho buscado incansavelmente opções, por onde transitar as redes me parecem o caminho mais fácil. Onde quero aprender? Tenho buscado cursos como este que são extremamente enriquecedores, mas ainda não encontrei as melhores respostas para meu público alvo. Os aplicativos são pesados para os recursos que eles dispõe. Enquanto isso vou aprendendo para construir um blog sobre técnicas de redação que fujam do material digital paupérrimo que estão disponíveis. Meras reproduções de sala de aula.

  3. Na época de adolescente, quando nem me passava a ideia de ser professor, era um verdadeiro entusiasta das mídias. Graças a esse interesse e uma dose de insistência fui trabalhar no Rádio, depois vi experiências na TV e no próprio meio gráfico (agencia de publicidade). Sempre pensava o quanto as aulas poderiam ser mais ricas com os instrumentos desses meios. Pensei em fazer jornalismo, mas acabei ficando com a boa experiência do meio e decidindo me tornar professor. Posso dizer, pela experiência, o quanto esse laboratório vivido há 17 anos, ainda ressoa em meu modo de pensar cada aula e o quanto isso repercute na qualidade delas. Creio que há um desafio no meio de comunicação que deveria ser trazido para a sala de aula: como manter a audiência atenta e fazê-la querer voltar a assistir? A mídia sempre pautou seu trabalho no COMO apresentar o conteúdo, talvez deveríamos aprender um pouco com eles.

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