Quando você pensa na palavra ‘aprender’, o que você vê ou sente? Talvez te venha à cabeça imagens de ambientes escolares, uma sala de aula, ou você lendo um livro, ou conversando com alguém, ou até mesmo um professor com quem você aprendeu bastante. Talvez você se lembre da sensação de uma experiência que você viveu e que te ensinou algo importante. E talvez essa tenha sido uma lição que ficou bem guardada na sua memória, foi bem aprendida justamente porque você viveu a experiência em primeira mão. Estar vivo é estar em constante experiência da realidade ao nosso redor, constantemente em contato com o mundo, em interação com as pessoas e com os mais diversos objetos de aprendizagem que a realidade nos oferece todos os dias.

O que é

O termo experiência de aprendizagem nos remete ao conceito de educação experiencial do filósofo norte-americano John Dewey. Em seu famoso livro Experience and Education (1938), Dewey enfatiza a importância dos processos sociais de aprendizagem, e que acontecem na interação entre o indivíduo e as pessoas ao seu redor, seu contexto e realidade. Dewey criticou o modelo tradicional de educação no qual as escolas são “ambientes insulares”, afastadas e desconectadas do mundo além de suas paredes, e criticou também o modelo de ensino normativo, cujo foco seria o conteúdo e a sua mera transmissão, como se os alunos fossem desprovidos de uma visão de mundo, de experiências prévias que contextualizam a sua identidade e seu contexto.

A contribuição de Dewey para a filosofia da educação influenciou grandes pensadores da educação tais como Paulo Freire, validando também abordagens e movimentos progressistas em educação, à exemplo do Construtivismo e até mesmo do movimento “Maker” (educação “mão-na-massa”) tão em voga no presente momento nos meios escolares.

Porque isso é importante

Principalmente nos dias de hoje, em que a sociedade clama por inovação no sistema educacional ultrapassado do séc 19, o conceito de experiência de aprendizagem pode substituir o conceito da aula tradicional, centrada na transmissão do conhecimento de maneira estática, sem levar em consideração o aspecto social e construtivista da aprendizagem.

Considerando que o que nós professores realmente fazemos (ou devemos estar fazendo cada vez mais) é desenhar experiências de aprendizagem significativas e que resultem em aprendizagem duradoura, passamos a nos enxergar mais como designers de aprendizagem e designers de experiências que buscam propiciar uma aprendizagem mais contextualizada, criativa, relevante e autêntica. É um conceito que nos liberta das amarras tradicionais da educação bancária e que nos lembra da responsabilidade que temos no processo de desenvolvimento e formação de pessoas que saibam pensar criticamente. É assim que nós professores ajudamos a desenhar o futuro, ao criar experiências que tenham o potencial de  transformar nossos alunos, para que eles possam descobrir e construir seus talentos e inteligências para impactar o nosso mundo.

Nas palavras de Brené Brown (Rising Strong, p.7, 2015):

“A criatividade incorpora o conhecimento para que ele possa se tornar prática. Nós movemos o que estamos aprendendo de nossas cabeças para nossos corações através de nossas mãos. (…) criatividade é essencialmente um ato de integração – é como transformamos nossas experiências em nosso ser.”

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Clarissa

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